A situação atual da economia de Moçambique

Moçambique:

A situação atual da economia nacional

 

    Crise da dívida, desvalorização cambial, inflação disparada e, ao mesmo tempo, expectativa de um grande futuro. A situação econômica atual de Moçambique, bem debatida em diversos meios de comunicação, é marcada por um período de instabilidade. Dentre as causas desse cenário, estão incluídas as quedas dos preços internacionais de matérias-primas, a adoção de políticas fiscais mais restritas, um período de seca que prejudicou a produção agrícola e o abrandamento econômico de alguns dos principais parceiros comerciais de Moçambique. Por outro lado, o país é alvo de grandes expectativas de crescimento, principalmente para a primeira metade da década de 2020, por causa do enorme potencial do setor do Gás Natural.

    Com o objetivo de compreender melhor a situação atual da economia de Moçambique, reunimos a seguir 14 gráficos e mapas que representam a evolução recente dos principais indicadores econômicos do país.

 

    Conhecido por uma forte evolução observada nos últimos anos, o PIB de Moçambique passa por um período de desaceleração. Como visto no gráfico ao lado, a economia desse país cresceu, em média, 7,27% por ano entre 2006 e 2015, evolução que atraiu forte interesse de investidores estrangeiros. O crescimento do PIB moçambicano, no entanto, caiu para 3,4% em 2016.  Segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), por outro lado, esse indicador deverá retomar o patamar anterior em alguns anos, subindo para 4,5% em 2017 e para 5,5% em 2018. No longo prazo, ainda, o FMI estima que no início da década de 2020 o PIB crescerá, em média, cerca de 15% ao ano devido a um boom do setor do Gás Natural, que deverá representar metade da economia nacional.

    Um dos principais fatores do cálculo do PIB, o consumo apresentou um acelerado crescimento na última década, mas caiu em 2014 e 2015. Como representado no gráfico ao lado, o consumo das famílias moçambicanas cresceu 120% entre 2004 e 2013, mas caiu 1,6% em 2014 e 15,9% em 2015, ano mais recente disponível. Os gastos do Governo, por sua vez, aumentaram 214% entre 2004 e 2014, atingindo US$ 4,4 bilhões, mas diminuíram 11% em 2015.

    O índice de desemprego oficial apresentou uma instabilidade nos últimos anos. Como é possível observar no gráfico ao lado, o percentual de habitantes em idade ativa sem emprego declarado subiu entre 2004 e 2007, caiu gradualmente de 2008 até 2012 e subiu de forma acelerada em 2013 e 2014, chegando a 25,3%. Em 2015, no entanto, esse indicador caiu para 24,7%. Os altos valores apresentados nesse índice, por outro lado, ocorrem também por causa da grande dimensão do setor informal na economia moçambicana, o que gera um alto percentual de trabalhadores que não são incluídos nas estatísticas oficiais.


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    A inflação é um dos indicadores que enfrentam atualmente um momento mais complicado. Como visto ao lado, essa taxa viveu uma média anual de 9,73% entre 2004 e 2011, enquanto que de 2012 a 2015 manteve-se em baixos patamares. A partir do final de 2015, no entanto, a subida de preços começou a acelerar, fechando o ano de 2016 em 19,2%, o maior valor registrado no país desde 1996. De acordo com estimativas do FMI, a inflação moçambicana será de 19% até o final de 2017 e de 10,6% em 2018.

    Na análise mensal, é possível observar que a inflação entrou em um cenário de rápida subida desde o segundo semestre de 2015, tendência que só foi interrompida no final de 2016. Como observado no gráfico ao lado, esse indicador cresceu em todos os meses entre junho de 2015, quando registrou 1,36%, e novembro de 2016, momento em que atingiu 26,83%. Após 18 meses seguidos, a inflação caiu em dezembro do ano passado e em janeiro de 2017, mas voltou a crescer em fevereiro e março. Durante os três primeiros meses deste ano, período mais recente com dados disponíveis, a subida de preços registrou uma média de 21% ao mês, valor superior ao previsto pelo FMI para 2017.

    Com o objetivo de tentar conter a inflação, o Banco de Moçambique faz uso de um dos instrumentos mais comuns para tal fim: a taxa de juros. Como observado ao lado, esse indicador foi mantido em 7,5% até outubro de 2015, mas foi elevado em oito ocasiões a partir do mês seguinte, quando a inflação começou a subir de forma mais acentuada. Em 10 de abril de 2017, após 18 meses de elevações, o Banco de Moçambique decidiu reduzir a taxa de juros para 22,75%, seu valor atual.


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    Assim como a inflação, um indicador muito afetado pelo cenário atual foi o valor cambial do Metical, moeda oficial de Moçambique. Como observado ao lado, a moeda moçambicana começou a se desvalorizar de forma acentuada há quase dois anos: entre julho de 2015 e outubro de 2016, o valor oficial necessário em meticais para se comprar um Dólar dos EUA dobrou de 39,1 para 78,6. Desde o final de 2016, no entanto, o Metical voltou a se recuperar, tendo o valor do Dólar dos EUA frente à moeda moçambicana caído quase 17% nos últimos sete meses.

    A atratividade de investimentos estrangeiros passou por um enorme aumento nos últimos anos. Como visto ao lado, a entrada anual de Investimento Direto Estrangeiro (IDE) no país aumentou de forma constante de US$ 2,4 bilhões em 2004 para US$28,8 bilhões em 2015, ano mais recente com dados disponíveis. Com a esperada evolução do setor do Gás Natural, analistas internacionais estimam que o IDE atraído terá um grande aumento no início da década de 2020.


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    Principalmente como resultado da instabilidade cambial e dos preços internacionais das matérias-primas, as exportações também sofreram uma forte ruptura nos últimos anos. Como observado no gráfico ao lado, as vendas moçambicanas ao exterior passaram por uma tendência de subida entre 2004 e 2014, mas caíram 32% em 2015. Em 2016, o total exportado foi de US$ 3,35 bilhões, valor pouco maior do que o do ano anterior, mas ainda 29% menor do que o registrado em 2014. As maiores quedas foram em produtos como alumínio, carvão, madeira e tabaco, categorias de grande importância na pauta exportadora do país.

    As importações, por sua vez, entraram em tendência de queda desde 2014. Como visto ao lado, as compras de produtos estrangeiros subiram quase 400% entre 2004 e 2013, mas caíram nos três anos seguintes. Em 2016, o total importado foi de US$ 5,3 bilhões, valor 33% menor do que no ano anterior e 48% inferior ao recorde de 2013. As quedas nas importações foram muito afetadas por fatores como a desvalorização cambial, a desaceleração dos megaprojetos de investidores estrangeiros e as descidas no preço do petróleo.



 

    Quanto aos principais produtos e destinos das exportações, é possível observar considerável concentração. Como o mapa acima demonstra, os três principais parceiros comerciais do país são África do Sul, Holanda e Índia, que foram responsáveis por 62% das exportações moçambicanas em 2016.

    No gráfico ao lado, ainda, é possível ver que a pauta exportadora do país é muito concentrada em quatro bens: alumínio, carvão, energia elétrica e gás natural, que somaram 60% do total exportado em 2016.



 

    Nas importações, nota-se uma concentração quanto aos parceiros comerciais e uma maior variedade de categorias de produtos. Como visto no mapa acima, o país que mais exportou para Moçambique em 2016 foi a África do Sul, que representou 30% das compras moçambicanas de produtos estrangeiros no ano passado, seguida de Cingapura (8%) e China (8%).

    Por outro lado, o gráfico ao lado demonstra que as categorias de bens mais importadas por Moçambique são petróleo, máquinas, equipamentos veículos e cereais. Em 2016, esses cinco representaram, somados, 45% das compras do exterior.