A situação atual da economia do Timor-Leste

Timor-Leste

A economia nacional atual

    Localizado entre a Ásia e a Oceania, o Timor-Leste possui uma localização que pode oferecer grandes oportunidades para os falantes de Língua Portuguesa. Além da proximidade geográfica a mercados como a China, o Japão e a Austrália, o país deve garantir benefícios comerciais no futuro próximo. Segundo especialistas, ainda em 2017 estará completa a adesão do Timor-Leste à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), bloco regional que reúne grandes mercados asiáticos e pretende criar uma zona de livre comércio.

No plano interno, a economia timorense passa por um momento de crescimento do PIB, do consumo e da atratividade de investimentos estrangeiros, além de ter conseguido terminar com o período de deflação, mas viu suas exportações caírem 81% em 2016.

Para compreender melhor a situação atual da economia do Timor-Leste, apresentamos nas páginas seguintes 13 gráficos e mapas que demonstram a evolução recente dos principais indicadores econômicos do país.
 

    Após passar por momentos de instabilidade, o PIB do Timor-Leste passou por um acelerado crescimento nos últimos anos. Como pode ser visto à esquerda, a economia timorense passou por uma retração de 5,7% em 2006, quando o país viveu uma crise político-militar. Por outro lado, o país recuperou o crescimento em 2007 e, desde então, apresentou um crescimento anual médio de 8,4%. Para os próximos anos, o Fundo Monetário Internacional (FMI) estima crescimentos de 5% em 2016, 4% em 2017 e 6% em 2018.

    Um dos principais fatores no cálculo do PIB, o consumo também apresentou um acelerado crescimento nos últimos anos. Como pode ser visto no gráfico ao lado, o consumo das famílias timorenses teve apenas uma pequena queda em 2006, mas aumentou mais de 160% entre 2004 e 2014, ultrapassando a marca de US$ 1 bilhão nos dois últimos anos registrados. Os gastos do Governo, por sua vez, triplicaram de valor entre 2004 e 2012, mas caíram 17% em 2013 e pouco subiram em 2014, atingindo US$ 950 milhões.

    Como resultado do acelerado crescimento do consumo, a Inflação apresentou altos valores em alguns anos recentes. Como visto à esquerda, a subida anual média dos preços da cesta básica foi de pouco acima de 9% entre 2007 e 2013. Por outro lado, a inflação foi melhor controlada desde 2014, mas deu lugar a uma deflação de 1,34% em 2016. Segundo estimativas do FMI, no entanto, os preços deverão subir 1% em 2017 e 2,74% em 2018.

    No plano mensal, os baixos valores registrados na variação de preços acabaram gerando um período de deflação que durou 15 meses. Como visto no gráfico à esquerda, no entanto a inflação medida em comparação com o mesmo mês no ano anterior registrou valores positivos desde fevereiro de 2017, tendo crescido em média 0,48 por mês desde então.

    Como era de se esperar diante do crescente aumento do consumo, o desemprego teve uma forte queda nos últimos anos. Como visto ao lado, o percentual de residentes em idade ativa sem emprego declarado caiu mais de 40% entre 2004 e 2014. Por outro lado, esse indicador voltou a subir desde 2012, embora em pequenas taxas.

    Em 2000, com apoio da Organização das Nações Unidas, o Timor-Leste adotou o Dólar dos EUA como moeda oficial, embora também utilize os centavos, moedas nacionais, para facilitar o comércio em baixos valores. Apesar da perda de influência do Governo no câmbio e nos gastos com a importação do Dólar, essa medida garante uma grande estabilidade cambial. Conforme pode ser visto ao lado, o valor do Dólar comparado com uma unidade de Euro vive um período de forte instabilidade cambial desde o final de 2015, variando entre 1,06 e 1,18 desde então, com diversos momentos de alta ou queda.

    A atração de Investimento Direto Externo (IDE) é o indicador econômico que teve a melhor evolução durante os últimos anos. Como pode ser visto no gráfico ao lado, o IDE total destinado ao Timor-Leste subiu de forma contínua desde 2004, ocasionando em um crescimento total de mais de 1700% até 2015. Os setores produtivos que mais atraem investimentos no país são o do Petróleo, o da Infraestrutura, o da Agricultura e o do Turismo.

    As exportações do Timor-Leste viveram uma rápida subida nos últimos anos, mas registraram uma queda considerável em 2016. Como visto no gráfico à direita, as vendas ao exterior cresceram 164% em 2015, mas no ano seguinte caíram para níveis inferiores ao de antes da subida. Em 2016, as exportações totalizaram US$ 64 milhões, valor 81% menor do que no ano anterior.

    Assim como as exportações, as importações do Timor-Leste tiveram um período de forte crescimento, mas caíram consideravelmente em 2015. Como observado ao lado, as compras de bens e serviços estrangeiros tiveram uma acelerada subida em 2012, caíram em 2013, voltaram a subir em 2014 e, por fim, desceram nos dois últimos anos. Em 2016, as importações totalizaram US$ 541 milhões, valor 11% inferior ao registrado no ano anterior.

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    Quanto aos principais produtos e parceiros comerciais, as exportações timorenses apresentam grande dependência em poucas opções. Como é apresentado no mapa acima, 73% das vendas ao exterior durante o ano de 2013 – ano mais recente disponível – foram destinadas a apenas quatro países: Indonésia, Alemanha, Estados Unidos e Austrália.

    No gráfico à direita, além disso, é possível notar que 64% das exportações do país em 2016 foram vendas de petróleo bruto, dependência que pode levar a uma forte instabilidade. Mesmo assim, a força do petróleo nas exportações é recente: o café representava quase todas as vendas ao exterior até poucos anos atrás.



 

    Quanto às importações, também há uma dependência em poucos parceiros comerciais, mas os bens importados são mais variados. Como o mapa acima demonstra, os cinco principais fornecedores das importações do Timor-Leste são países vizinhos ou geograficamente próximos: Indonésia, Malásia, Cingapura, Vietnã e China. Somados, esses cinco representaram 77% das importações de 2013, ano mais recente disponível.

    Como observado no gráfico à esquerda, além disso, os produtos mais importados em 2016 foram veículos, máquinas, equipamentos e bebidas. Mesmo assim, o Timor-Leste importa uma enorme variedade de bens uma vez que consiste em uma pequena economia.

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