Brasil: o cenário econômico atual

Brasil

A situação econômica atual

    Em dezembro de 2016, última vez em que a M&E analisou a economia brasileira, os dados mais recentes indicavam uma grande retração do consumo e da entrada de investimento estrangeiro; descidas da inflação, do preço do Dólar e da taxa de juros; bem como continuações da subida do desemprego e das quedas no PIB e no comércio exterior.

    Atualmente, 10 meses depois, observamos um cenário com algumas mudanças e algumas continuidades. O PIB já deve terminar o ano de 2017 com crescimento, embora ainda menor do que antes da recessão, a taxa de juros continua em queda, o valor cambial do Real estabilizou-se e a entrada de investimento externo voltou a crescer. Por outro lado, as exportações e importações continuam caindo, o desemprego mantém a tendência de subida e o consumo não voltou a crescer.

    Para compreender melhor a situação atual da economia do Brasil, apresentamos nas páginas seguintes 14 gráficos e mapas que demonstram a evolução recente dos principais indicadores econômicos do país.

    Como revelado no gráfico ao lado, a economia brasileira encontra-se em período de saída da recessão. Após seis anos seguidos de crescimento, o PIB do Brasil caiu 3,8% em 2015 e 3,6% em 2016. Segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), no entanto, esse indicador fechará o ano de 2017 com uma subida de 0,2% e subirá 1,8% em 2018. Essas taxas, mesmo assim, não serão suficientes para o PIB voltar ao patamar de antes da recessão.

    Um dos principais fatores no cálculo do PIB, o consumo brasileiro parou de crescer em 2012, interrompendo a sequência de rápido crescimento vivida até então, passou por uma forte queda em 2015 e manteve o patamar em 2016. Como observado ao lado, o consumo das famílias aumentou quase 300% entre 2004 e 2011 e chegou a quase US$ 1,6 trilhão, mas caiu para pouco abaixo de US$ 1,5 trilhão em 2012, manteve-se nesse nível nos dois anos seguintes, caiu 25% para US$ 1,15 trilhão em 2015 e apresentou exatamente o mesmo valor em 2016. Os gastos do Governo brasileiro, seguindo as mesmas tendências, também cresceram quase 300% de 2004 a 2011, mas desceram para US$ 470 bilhões em 2012, mantiveram-se no mesmo patamar nos dois anos seguintes, caíram 24% para US$ 360 milhões em 2015 e se mantiveram em 2016.

    Como é possível observar no gráfico à esquerda, o índice de desemprego vive um período de rápida subida, revertendo uma tendência de queda que durou até 2014. Com exceção de 2009, quando o desemprego aumentou após a crise econômica internacional de então, o percentual de desempregados caiu em todos os anos entre 2007 e 2014. Por outro lado, esse indicador subiu de 6,8% em 2014 para 8,5% em 2015 e 11,5% em 2016. De acordo com estimativas do FMI, a tendência de subida continuará em 2017 aumentando para 12,15% e cairá para 11,6% em 2018.

    Um dos principais motivos para a forte queda do consumo é o cenário de acelerada inflação pelo qual o Brasil passou nos últimos anos. Como visto ao lado, a subida de preços da cesta básica terminou o ano de 2014 em 6,33%, mantendo-se, portanto, abaixo do teto da meta governamental (6,5%). Por outro lado, esse indicador disparou nos anos seguintes, subindo para 9% em 2015 e 8,7% em 2016. Segundo estimativas do FMI, no entanto, a inflação brasileira fechará o ano de 2017 em 4,3%, e manterá o mesmo valor em 2018, descendo assim para valores mais estáveis.

    No plano mensal, é possível ver de forma mais detalhada como a inflação vive um período de queda acelerada. Como é possível ver ao lado, a subida homóloga de preços começou o ano passado ainda com altos valores, registrando 9,32% em maio de 2016. A partir de junho, por outro lado, essa indicador entrou em uma tendência de forte queda, baixando para 2,5% em julho de 2017, mês mais recente com dados disponíveis.

    Diante da constante queda da inflação, o Banco Central do Brasil adota atualmente uma postura de seguidos cortes da taxa de juros. Como visto ao lado, esse indicador havia sido mantido em 14,25% durante quase todo o ano de 2016. Por outro lado, em outubro de 2016, após oito meses de tendência de queda da inflação, a taxa de juros brasileira desceu para 14%, a primeira redução em quatro anos. Nos onze meses seguintes, ainda, esse indicador for reduzido em seis outras ocasiões, tendo atualmente o valor de 8,25%.

    Após meses de desvalorização cambial durante o ano de 2015, o Real, moeda oficial do Brasil, apresenta hoje mais estabilidade. Como visto no gráfico à esquerda, um Dólar dos EUA valia 3,12 reais em junho de 2015, valor que subiu para 4 reais em fevereiro de 2016. Desde abril do ano passado, por outro lado, esse indicador manteve-se entre 3,18 e 3,60 reais.

    A atratividade de investimento direto externo (IDE) passou por uma forte queda entre 2013 e 201, mas volto a crescer em 2016. Como observado ao lado, esse indicador subiu rapidamente até 2010 e cresceu pouco em 2011 e 2012. A partir de 2013, no entanto, o IDE atraído entrou em tendência de queda, descendo 28% até 2015, quando fechou em US$ 486 bilhões. No ano passado, por outro lado, a entrada desse fluxo cresceu para quase US$ 626 bilhões, valor acima do registrado em 2014, mas ainda abaixo do visto em 2013.

    Quanto ao comércio internacional, as exportações brasileiras sofreram uma forte queda nos últimos anos. Como visto ao lado, as vendas do país ao exterior caíram de US$ 242 bilhões em 2013 para US$ 185 bilhões em 2016. Essa queda foi muito puxada pela queda do preço do Petróleo, mas também foi causada em grande parte pela menor produtividade do país.

    Como ocorreu com as exportações, a economia brasileira também registra quedas na importação após anos de grande crescimento. Como visto no gráfico ao lado, as compras de bens e serviços estrangeiros desceram 43% entre 2013 e 2016, quando fecharam em US$ 137 bilhões. Essa queda possui vários motivos, incluindo a recente desvalorização cambial, a queda do poder de consumo dos brasileiros e as baixas expectativas de produção das empresas importadoras de insumos.


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    No âmbito das exportações brasileiras, de forma mais detalhada, há uma boa distribuição geográfica em termos de países destinos. Como visto no mapa acima, no ano passado os principais parceiros foram China, Estados Unidos, Argentina e Holanda. Esses quatro foram, somados, responsáveis por mais de 44% das vendas ao exterior em 2016.

    Quanto aos produtos, também há uma boa distribuição em diversas categorias. Como o gráfico à esquerda demonstra, os bens mais vendidos ao exterior nos 12 últimos meses foram sementes (11%), minérios (10%), combustíveis (9%), veículos (7%) e carnes (6%).



 

    Quanto às importações, é possível notar uma concentração de parceiros comerciais maior do que a vista nas exportações. Como observado no mapa acima, durante o ano passado os principais parceiros foram a China e os Estados Unidos, responsáveis, somados, por mais de 34% das importações totais.

    Quanto aos produtos mais importados, há uma maior variedade. Como visto ao lado, os bens estrangeiros mais comprados por brasileiros nos 12 últimos meses foram máquinas (14%), combustíveis (13%), reatores nucleares (12%), veículos (7%) e químicos (6%).

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