Entrevista: Câmara de Comércio e Indústria Portugal - Guiné-Bissau

Jorge Sousa,

Presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portugal - Guiné Bissau

Castanhas de caju e instabilidade política. Para muitos analistas, apenas esses dois fatores são lembrados quando se trata da Guiné-Bissau. O país africano, no entanto, vai muito além de apenas esses fatores e possui grande potencial em muitos outros setores produtivos, como o Turismo, a Construção, a Pesca e as Energias Renováveis. Para compreender melhor as características do mercado Bissau-guineense, entrevistamos Jorge Sousa, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portugal - Guiné-Bissau.

 

Quais os principais atrativos ao investimento estrangeiro oferecidos por Guiné-Bissau?

    De um modo geral, podemos dizer que a Guiné-Bissau é um país que possui estabilidade cambial, possui uma posição geográfica favorável e oferece liberdade de circulação de capitais. Além disso, o processo de abrir uma empresa no mercado bissau-guineense, que segue um modelo reproduzido em Portugal, é fácil e rápido, já que demora apenas 24 horas. Portando, há todo um conjunto de vantagens que a Guiné-Bissau oferece aos empresários.

Quais são os maiores desafios enfrentados pelos investidores estrangeiros interessados nesse país?        

    Os desafios são vários. O principal é a necessidade de conhecimento direto do terreno. Muitas empreendimentos na Guiné-Bissau falham porque não há um suficiente conhecimento sobre fatores locais do país, como, por exemplo, as pessoas. Antes de tomar uma decisão de investimento nesse país, é importante ter um contato mais direto com a realidade local.

De que modo a CCIPGB pode ajudar os empresários a conhecer melhor a realidade local?

    A CCIPGB tem um papel de plataforma. Nosso trabalho tem como objetivo juntar os empresários, os empreendedores, os financiadores e as autoridades políticas. Ou seja, nossa função é ser um ponto de encontro de interesses. Diante da necessidade de conhecimento da realidade local da Guiné-Bissau, a CCIPGB organiza pequenas missões empresariais para que um grupo de 10 a 20 empresas possa ter contato direto com o terreno.

Como é a relação entre Governo e empresas nesse país?

    É uma boa relação, uma vez que a Guiné-Bissau é um país com uma economia de mercado. Apesar das recentes mudanças políticas nesse país, pode-se dizer que há uma mentalidade clara de boa receptividade política ao investimento estrangeiro. Ao menos nos últimos anos, não houve casos de um relacionamento anormal entre Governo e empresas.

Quais são os setores produtivos que mais atraem interesse de investidores estrangeiros na Guiné-Bissau?

    Há uma grande variedade de setores considerados atrativos por empresas estrangeiras, como Saúde, Agricultura, Pescas, Energia Solar e Distribuição. Mesmo assim, é preciso distinguir que existem empresas que entram na Guiné-Bissau voltadas apenas para o mercado interno e outras já vocacionadas para a África Ocidental.

Na sua opinião, há setores que deveriam atrair mais interesse de investidores estrangeiros?

    Sim. O Turismo, claramente. Apesar do grande potencial turístico que a Guiné-Bissau oferece, há uma carência de infraestrutura. Há todo um conjunto de iniciativas que precisam ser realizadas para que o Turismo possa se desenvolver, como o investimento em oferta de transportes, de acessos a praias, de unidades hoteleiras, etc. O arquipélago de Bijagós, por exemplo, que é reconhecido pela UNESCO como reserva mundial da biosfera, mas não é aproveitado em termos turísticos.

No âmbito do comércio internacional, há alguma tendência que devemos esperar para os próximos anos?

    Acredito que a principal tendência que podemos esperar é uma evolução significativa nas exportações dos setores da Pesca e da Agricultura. É importante reconhecer que a Guiné-Bissau tem grandes capacidades nessas áreas e pode, com alguma melhoria das infraestruturas, exportar produtos desses setores para a Europa e outros grandes mercados mundiais.

Por fim, como acredita que a economia da Guiné-Bissau evoluirá nos próximos anos?

    Na minha perspectiva, a Guiné-Bissau deverá viver um bom crescimento baseado nos quatro setores prioritários para o Governo nos próximos 10 anos: Agroindústria, Pescas, Turismo e Mineração. Além disso, espero uma boa evolução dos planos de desenvolvimento do capital humano, do ambiente de negócios, da estabilidade política e da preservação da biodiversidade, como foi apresentado pelo Governo no plano “Terra Ranka” em março de 2015.

Leia também:

Internacionalizar Empresas na CPLP - 3 Aspectos Importantes

Agronegócios na CPLP: Entrevista com o presidente da Câmara Agrícola Lusófona

Acompanhe a Mercados & Estratégias