Entrevistamos Erickson Mvezi, jovem empreendedor angolano de sucesso

Erickson Mvezi,

Fundador e CEO da Tupuca

    Jovem empreendedor. Essa categoria de empresário é cada vez mais comum e, mais importante ainda, recebe cada vez mais reconhecimento. Mesmo assim, existem ainda muitos desafios para atingir um patamar muito desejado: jovem empreendedor de sucesso.

    Um excelente exemplo desse patamar é Erickson Mvezi. Em outubro de 2016, o jovem nascido e crescido na capital de Angola, Luanda, lançou o primeiro aplicativo de entrega de refeições do país: a Tupuca. Em apenas seis meses de atividade, a empresa foi um enorme sucesso, tendo faturado mais 44 milhões de kwanzas (cerca de 260 mil dólares) para os restaurantes parceiros e contratado 44 jovens angolanos. Diante dos resultados, Mvezi já planeja expandir, durante os próximos cinco anos, para os dez maiores centros urbanos do continente africano.

    A Mercados & Estratégias conversou com Mvezi para conhecer melhor suas experiências, opiniões e visões sobre empreendedorismo jovem em Angola. Leia a seguir.

Como surgiu a ideia de a criar a Tupuca?

A Tupuca nasceu durante as minhas férias em janeiro de 2015, numa conversa de quintal com meu amigo e sócio Patrice Francisco com objetivo de criarmos uma plataforma de entrega de roupa das boutiques informais. Depois de uma avaliação profunda, cheguei à conclusão de que não havia infraestrutura para assegurar esse modelo de negócio com as boutiques. Então, decidi focar no setor dos restaurantes.

Em apenas seis meses de funcionamento, a Tupuca arrecadou mais de 44 milhões de kwanzas para restaurantes parceiros. Quais fatores foram essenciais para esse sucesso?

São vários os fatores que contribuem para o nosso sucesso. Depois da benção de Deus, o fator mais importante é o Team Tupuca. Temos uma equipe 100% engajada com a nossa causa. Desde os seguranças na porta até o CEO. Procuramos sempre atingir a perfeição com os recursos limitados que temos. A nossa equipe conta especialistas em todos os domínios da nossa atividade.

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Por outro lado, qual o maior desafio que a Tupuca enfrentou para alcançar esse sucesso?

O maior desafio tem sido adaptar-se ao rápido crescimento da empresa. Em uma startup, os cenários mudam muito rápido, o que exige mais do pessoal interno a lidar com a necessidade. O lado positivo dessa pressão é que geramos mais líderes com capacidade de lidar com situações diversas.

Diante do sucesso, a Tupuca já contratou dezenas de jovens trabalhadores. Quais os desafios dessa fase de contratação?

O maior desafio é moldar o recém-contratado em direção ao perfil ideal em tão pouco tempo. Somos forçados várias vezes a rever e a reinventar o nosso programa de formação para capacitar as pessoas com objetivo de atender o rápido crescimento da empresa.

Que sugestões ofereceria para um jovem angolano interessado em fundar uma startup?

Para um jovem angolano interessado em fundar uma startup, ofereceria três recomendações. Primeiro, sair do anonimato e procurar pessoas com os mesmos interesses. Segundo, pesquisar empresas com modelo de negócio similar. Por fim, não ter receio de partilhar e de errar.

Que sugestões ofereceria para um empresário estrangeiro interessado em expandir para Angola?

Primeiro, procurar entender a legislação e o ecossistema angolano. Isso pode ser feito pesquisando online e visitando um consulado ou uma embaixada de Angola se o interessado se encontrar fora do país. Segundo, e mais importante, é encontrar um parceiro local de confiança.

Como vê a Tupuca daqui a cinco anos?

Eu vejo a Tupuca a nível continental. Projeto a Tupuca nas 10 maiores áreas metropolitanas da África nos próximos cinco anos. Queremos criar uma plataforma de fácil escala e que se adapta à realidade africana.

O que acredita que deve ser feito em Angola para facilitar o surgimento e crescimento de Pequenas e Médias Empresas?

Para além da facilitação de acesso à internet e a divisas, é necessário maior acompanhamento das pequenas e médias empresas por meio das incubadoras e outras iniciativas que zelam pela capacitação dos empreendedores para aumentar a probabilidade de sucesso das novas empresas. Eu comparo esse processo com o de uma criança recém-nascida que, se não tiver a estrutura familiar que a acompanhe, será pouco provável a realização do seu potencial. O mesmo acompanhamento deve ser feito para as empresas emergentes.

Como a situação social e econômica de Angola está afetando o setor alimentar?

Eu digo que já esteve pior. Nos últimos meses tem havido maior afluência nesse setor. Aliás os números da Tupuca comprovam isso.

Na sua opinião, como o setor tecnológico deverá evoluir em Angola?

Julgo que devem ocorrer três ações. Primeiro, o desenvolvimento de infraestruturas em comunicação, como a cobertura móvel e as redes de fibra de internet. Segundo, a redução dos preços das tarifas de telecomunicacão. Terceiro, a introdução de pagamentos online e cartões VISA e MasterCard. Todos estes fatores devem ser apoiados pelo governo para alcançar o resultado mais rapidamente e aumentar o crescimento das pequenas e médias empresas no curto prazo. Ruanda é um bom exemplo de como isso deve ser feito.

Como acredita que a economia de Angola deverá evoluir nos próximos anos?

Devemos rever e atualizar a nossa legislação tendo como referência outros países africanos que o fizeram com sucesso e aplicar algumas das recomendações acima mencionas. Só assim é que teremos uma economia atrativa e que faz frente a qualquer economia africana.

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