Entrevistamos José Villa Cardoso, consultor empresarial e CEO da ADSO

José Villa Cardoso,

CEO da ADSO

 

    “O sucesso de uma empresa depende de ser sólida financeiramente, bem gerida, ter uma estratégia a médio-longo prazo e apostar fortemente na comunicação, marketing e imagem.” As palavras do próprio entrevistado desta edição justificam porque a Mercados & Estratégias escolheu um consultor empresarial para compartilhar suas experiências e opiniões com os nossos leitores. Muitas de nossas entrevistas de edições anteriores foram focadas em apresentar aspectos específicos das economias de Língua Portuguesa, mas conhecer bem o mercado de destino não é o único fator essencial para o sucesso de uma internacionalização empresarial. É necessário traçar uma boa estratégia de médio ou até longo prazo.

    Para ajudar nossos leitores a tomar as melhores decisões a partir das informações que fornecemos gratuitamente todos os meses, entrevistamos nesta edição José Villa Cardoso. Com décadas de experiência apoiando o sucesso de empresas em diversos países de Língua Portuguesa, Cardoso é CEO da ADSO, agência de consultoria em comunicação, marketing e estratégia empresarial; criação publicitária; design e branding; novas tecnologias, mídias digitais e web. Leia a seguir.

A ADSO possui forte experiência na internacionalização de empresas entre países de Língua Portuguesa. Quais fatores são essenciais para o sucesso de uma expansão internacional dentro da CPLP?

    O mercado de CPLP é um mercado natural e existem, desde logo, muitas condições para o sucesso. Os fatores essenciais para a expansão dentro da CPLP são o real conhecimento dos mercados e a adaptação da oferta às características de quem procura. Eu sou um forte defensor de que quanto mais e melhor uma empresa ou marca se identificar com os seus clientes, muito mais fácil será fazer negócio.

Por outro lado, quais são os principais desafios para internacionalizar uma empresa entre países de Língua Portuguesa?

    Os desafios são principalmente de índole protecionista e as dificuldades ao nível monetário, quer seja por via da desvalorização da moeda, quer das dificuldades de transferência.

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Feiras internacionais são essenciais no processo de expansão para outros países. Qual a estratégia para uma empresa ganhar destaque nesses eventos?    

Nas feiras o mais importante faz-se seis meses antes com a marcação de reuniões, com a criação de uma boa imagem, com a promoção nas redes sociais.

Quais aspectos são facilitados na internacionalização de uma empresa para outro país com o mesmo idioma oficial?

    Não é o idioma que facilita, é a cultura e os laços que nos unem na CPLP.

Focando em Angola, quais os principais obstáculos enfrentados por empresas que expandem seus negócios para esse mercado?

    Angola atravessa uma fase difícil e de grande indefinição. O crescimento da última década terá de continuar, mas de forma mais sustentada e não tão alavancada pelo Estado. Acho que agora é que vamos ver grupos económicos que não dependem do Estado nem das oscilações do preço do petróleo.

Que aspectos a ADSO aprendeu como essenciais para o sucesso de uma empresa em Angola?

    O sucesso de uma empresa depende de ser sólida financeiramente, bem gerida, ter uma estratégia a médio-longo prazo e apostar fortemente na comunicação, marketing e imagem. Na CPLP e em qualquer outro mercado.

Um dos serviços prestados pela ADSO é o marketing internacional. Quais aspectos devem ser prioritários na promoção de uma empresa no mercado angolano?

    No marketing internacional procuramos agir de acordo com as características do mercado, adaptando a nossa oferta à procura existente. No trabalho é feita uma análise, e caso a caso se decide o que fazer para ter resultados.

Qual o primeiro passo a ser adotado para uma empresa estrangeira investir no Brasil?

    O primeiro passo é conhecer o Brasil e perceber que é muito diversificado e que existem especificidades que podem arruinar qualquer negócio. No Brasil temos de pensar em encontrar um bom parceiro local, identificar um estado ou região onde atuar e fazer um bom e rigoroso plano de negócio.

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Quais as principais adaptações necessárias para o sucesso de empresas portuguesas no Brasil?

    As adaptações que têm de ser feitas no Brasil e também pelas empresas brasileiras que se internacionalizam são muitas, mas não são difíceis. Por exemplo, há sempre que ajustar o que se escreve e como se escreve. São pormenores que fazem a diferença.

Por fim, qual a sua visão sobre o futuro do mercado brasileiro no curto/médio prazo?

    O mercado brasileiro tem grandes desafios no curto prazo, mas é necessário um novo modelo econômico, todo o resto existe: bons produtos/serviços, pessoas com competências, consumidores. As empresas brasileiras deveriam vir para a Europa, sobretudo para o Centro/Norte e aprenderem a gerir o negócio de forma orientada para os resultados. Para além de uma nova classe política, o Brasil precisa de uma nova geração de empresários.

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