Estratégia de Desenvolvimento de São Tomé e Príncipe: não é o Dubai, são as Maurícias!

    A estratégia de desenvolvimento para São Tomé e Príncipe, tantas e tantas vezes defendida e anunciada pelo atual primeiro-ministro, Patrice Trovoada, tem sido sistematicamente nomeada como sendo “Dubai”. Compreende-se que, pelas ligações pessoais reconhecidas, seja essa a imagem utilizada, no entanto a estratégia que São Tomé e Príncipe está a delinear e preparar-se para implementar não tem nada que ver com o que se passou em Dubai, mas constitui-se como uma réplica de toda a estratégia de desenvolvimento das Maurícias, que tão bons frutos deu.

    As Maurícias apostaram no desenvolvimento de um porto de águas profundas com grande capacidade logística, tornando, em primeiro lugar, o país na maior plataforma logística para as trocas comerciais através do Índico, em especial entre a costa leste da África e os países asiáticos, em particular a Índia. Após o sucesso estrondoso da plataforma logística internacional, o país desenvolveu a plataforma bancária e financeira, tornando-se em um local de eleição, oferecendo todas as soluções financeiras necessárias ao bom funcionamento das empresas e do comércio internacional. A criação de empregos, incluindo uma classe de técnicos altamente qualificados e a elevação do rendimento per capita e do nível de vida no país foi uma consequência natural dessa abordagem bem-sucedida.

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    Ora, sendo o primeiro-ministro Patrice Trovoada um dirigente político extremamente culto, Ora, sendo o primeiro-ministro Patrice Trovoada um dirigente político extremamente culto, inteligente e conhecedor, sabe perfeitamente que o sucesso dessa estratégia passa primeiro pela construção do porto de águas profundas e da plataforma logística, os quais, tudo indica, irão tornar-se realidade na próxima meia dúzia de anos.

    Do ponto de vista do agente econômico, as externalidades positivas que se anunciam para a economia de São Tomé e as condições que estão a ser criadas para a melhoria do ambiente de negócios apresentam oportunidades para a realização de investimentos e o desenvolvimento de novos projetos do setor privado. O setor do Turismo é uma óbvia estrela em ascensão nessa realidade, mas pequenas entidades prestadoras dos serviços mais diversos também poderão encontrar no país um palco muito favorável para a sua expansão.

    No entanto, nem tudo são facilidades, pois alguns dos indicadores fundamentais da macroeconomia do país apresentam fragilidades, em especial a insustentabilidade do valor da moeda, com um diferencial de inflação face à zona monetária a que está indexada, bem como as dificuldades da política orçamental e uma enorme dependência de importações.

    Esses desafios terão de ser geridos no curto prazo para que a economia santomense possa atingir os novos patamares de desenvolvimento ao longo da próxima década.

    Na nossa opinião, o país irá ser bem-sucedido e, no espaço de uma década e meia, tornar-se-á um dos casos de estudo das políticas de desenvolvimento das pequenas economias insulares.

Foto: David Stanley.

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