Expansão de negócios do Brasil para Portugal: entrevistamos Tom Ricetti, CEO da Pão To Go

Tom Ricetti,

CEO da Pão To Go

    Padarias drive-thru. Essa inovadora ideia levou à criação da Pão To Go, a primeira rede do Brasil de restaurantes que vendem de forma rápida e prática produtos que 90% dos brasileiros consomem todos os dias. Fundada em 2013 no interior do estado de São Paulo, a Pão To Go já conta atualmente com mais de 20 franquias ao redor do Brasil, sucesso que atraiu o interesse de diversos investidores com propostas de expansão para outros países. Em junho de 2016, apenas três anos depois de sua fundação, a empresa anunciou a abertura da sua primeira franquia fora do Brasil, que será localizada em Portugal. A rede planeja um investimento de peso no país europeu, onde prevê contar com 90 pontos de venda em cinco anos.

    Diante desse cenário, a Mercados & Estratégias conversou com o fundador e CEO da Pão To Go, Tom Ricetti, para saber mais sobre as estratégias, os motivos, os desafios e os aprendizados do empresário durante a expansão de seu negócio para o mercado português. Leia mais nas páginas seguintes.

Como surgiu a inovadora ideia da Pão To Go?

A ideia da Pão To Go surgiu no final de 2012, mais precisamente no dia 23 de dezembro de 2012. Eu estava com meu filho e meu cachorro na casa da minha mãe em São Carlos, cidade no interior do estado de São Paulo, quando minha esposa me ligou pedindo para levar pão quando eu voltasse pra casa. Como era final de tarde da antevéspera de Natal, as padarias da cidade estavam lotadas e, portanto, não achei lugar para deixar meu carro próximo a nenhuma delas. Precisava estacionar perto porque estava chovendo e o Risotto (meu cachorro) ia ficar no carro. Depois de muita procura, achei uma vaga na frente de um Supermercado Extra. Lá fui levando no colo meu filho, que na época tinha dois anos. O supermercado estava lotado, tive que entrar em filas para tudo e ainda lidar com meu filho pedindo pra comprar de tudo. Em resumo: demorei uma hora e quinze minutos para comprar 7 pãezinhos. Foi aí que me perguntei por que não existia um drive-thru com produtos do dia-a-dia. E surgiu a Pão To Go!

Quais motivos levaram a empresa a decidir que estava no momento certo para se internacionalizar?

Na realidade, a Pão To Go teve, desde o começo, muita procura de interessados pelo negócio. Principalmente pelo fato de ser uma franquia inovadora que, de uma maneira muito mais cômoda e rápida do que a tradicional, vende produtos que 90% dos brasileiros consomem todos os dias. Esses interessados incluíam não apenas brasileiros, mas estrangeiros também. Além desse contexto, a economia no Brasil ficou um pouco complicada nos últimos anos e, portanto, decidimos partir para outros mercados, começando por Portugal e Estados Unidos. O principal motivo para a expansão internacional nesse momento, no entanto, foi o fato de conseguirmos encontrar um ótimo parceiro em Portugal para comandar a operação: nosso Master Franqueado, Roberto Tambone.

A franquia é uma das mais populares estratégias para as empresas expandirem para outros países. Na sua opinião, qual a principal vantagem dessa opção?

Acredito que a principal vantagem do franquiamento é a possibilidade do rápido crescimento. Essa estratégia pode mais rapidamente tornar a marca conhecida e gerar ganhos na escala nas compras.

Por quais razões escolheram expandir para Portugal?

Além da facilidade de comunicação por causa do mesmo idioma, já trabalhávamos com fornecedores provenientes de Portugal. Outro aspecto que faz esse mercado muito atrativo é o costume do consumo de pães.

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Por outro lado, quais os maiores obstáculos já enfrentaram na expansão para esse país?

O maior desafio é conseguir pontos para o nosso modelo drive-thru, para o qual precisamos de um terreno com um pouco mais de espaço. Atualmente, trabalhamos no Brasil com quatro modelos de operação, que são o drive-thru, o express (cafeteria de rua), o quiosque (normalmente instalado sem aeroportos, rodoviárias e shoppings) e as padarias de conveniência (instaladas em postos de gasolina). Para os outros modelos é bem mais fácil conseguir bons espaços, porém queríamos começar em Portugal com o modelo drive-thru.

Qual a estratégia da Pão To Go para encontrar os parceiros e fornecedores certos em Portugal?

Contamos com uma consultoria que dá todo o apoio para nossa operação em Portugal. Eles já possuem conhecimento na área e estão dando todo o suporte necessário para encontrarmos os parceiros e fornecedores certos. Já há uma boa quantidade de interessados com os quais estamos conversando.

Quais as principais diferenças entre as franquias da Pão To Go no Brasil e em Portugal?

A principal diferença é a gama de produtos comercializados nos dois países. Por outro lado, contamos com alguns produtos que são “brasileiríssimos” e apostamos que serão sucesso em Portugal, como o Pão Delícia, que é um segredo do Nordeste do Brasil e, como o nome indica, é uma delícia! Também estamos fazendo o caminho inverso ao trazer produtos de Portugal para o mercado brasileiro, como o pastel de nata e o pastel de bacalhau.

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Quais são os planos da Pão To Go para o seu futuro em Portugal?

Nós sempre temos planos grandiosos. Esperamos crescer a passos largos no mercado de Portugal e, assim sendo, contamos alcançar a marca de 90 pontos de venda nesse país em um período de cinco anos.

Já foram anunciadas negociações para abrir franquias da Pão To Go em Angola e Macau. Qual a situação atual dessas possíveis expansões?

As negociações para esses países ainda não evoluíram. Buscamos os parceiros certos e continuamos a procurar. Mesmo assim, acreditamos muito nos dois mercados.

A Pão To Go estuda expandir para outros mercados da CPLP?

Sempre olhamos com carinho para lugares que falam a nossa língua. Podemos conversar melhor a qualquer momento.

 

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