Guiné-Bissau: um retrato da economia nacional hoje

Guiné Bissau,

A situação econômica atual

    Em 3 de dezembro, véspera da publicação desta edição, a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) emitiu uma declaração à imprensa manifestando preocupação com a crise política vivida na Guiné-Bissau. O atual Governo do país não tem o apoio do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que ganhou as eleições legislativas de 2014. Esse impasse político, que vai contra o Acordo de Conacri, tem levado vários países e instituições internacionais a apelarem a um consenso.

    Para melhor compreender a situação econômica da Guiné-Bissau diante dessa crise política, reunimos a seguir 14 gráficos e mapas que resumem a evolução dos principais indicadores do país.

Após uma breve recessão em 2012, a economia da Guiné-Bissau recuperou-se já no ano seguinte, com uma crescente subida anual do Produto Interno Bruto (PIB) desde então. Como é possível ver no gráfico ao lado, esse indicador aumentou 5.6% em 2016, registro mais recente. Segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), o PIB terminará 2017 com uma subida de 5% e deverá crescer no mesmo ritmo durante o ano de 2018.

Um dos principais fatores no cálculo do PIB, o consumo aumentou consideravelmente durante a última década. Como visto no gráfico à direita, os gastos do Governo cresceram 68% de 2005 a 2014, mas desceram 20% em 2015 e 11% em 2016, quando registraram US$ 102 milhões. O consumo das famílias, por sua vez, cresceu 87% entre 2005 e 2014, caiu 11% em 2015 e subiu 8% em 2016, fechando com um total de US$ 946 milhões. O principal motivo para essa queda do consumo é o cenário de instabilidade política vivido no país desde 2015.

Apesar de o consumo das famílias ter passado por um grande crescimento na última década, o desemprego teve uma forte estabilidade. De acordo com estimativas do Banco Mundial e da Organização Mundial do Trabalho, representadas ao lado, o índice variou entre 6,5% e 6,75% em toda a última década.

A inflação medida em termos anuais apresentou grande instabilidade nos últimos anos. Como é possível observar no gráfico à direita, a Guiné-Bissau viveu uma alta subida de preços em 2008, seguida por uma deflação em 2009, outro período de inflação em 2011 e mais uma deflação em 2014. Em 2016, ano mais recente registrado, a variação de preços ficou mais estável, com uma inflação de apenas 1,69%. Segundo estimativas do FMI, a subida de preços terminará 2017 em 2,8% e será de 2,5% em 2018, mantendo estabilidade.

Em termos mensais, a subida de preços foi bem controlada durante o ano de 2015 e a primeira metade de 2016, mas voltou a uma instabilidade no segundo semestre do ano passado. Como visto ao lado, a inflação homóloga – comparação com o mesmo mês no ano anterior – variou entre 1% e 3% durante os 12 meses entre julho de 2015 e junho de 2016. A partir do mês seguinte, por outro lado, a variação de preços começou a desacelerar, chegando a uma deflação de 1,1% em setembro. Nos últimos 12 meses, a inflação voltou a se recuperar, chegando a 1,3% em setembro de 2017, registro mais recente.

Por ser membro da União Econômica e Monetária do Oeste Africano (UEMOA), o Governo da Guiné-Bissau não possui autonomia para controlar o instrumento mais comum de combate à inflação: a taxa de juros. Como é possível ver no gráfico ao lado, esse indicador permaneceu fixado em 3,5% durante três anos, mas foi elevado para 4,5% no final do ano passado. Essa subida provavelmente gerará uma retração ainda maior do consumo uma vez que estimula o investimento.

Como membro da UEMOA, a Guiné-Bissau adota o Franco da África Ocidental (XOF) como moeda oficial. De modo a garantir uma estabilidade cambial, essa moeda possui uma paridade fixa ao Euro. Como visto ao lado, o Franco XOF passou por uma desvalorização em relação ao Dólar dos EUA nos últimos meses. Após manter um valor próximo a XOF 600,00 por um Dólar por quase todo o ano de 2016, a moeda da UEMOA desvalorizou em 2017, mantendo um valor frente ao Dólar próximo de XOF 550,00 no segundo semestre deste ano.

A atratividade de investimento direto estrangeiro (IDE) da Guiné-Bissau vive um excelente momento. Como visto ao lado, esse fluxo passou por uma grande queda em 2005 e 2006, cujo principal motivo foi um Golpe de Estado ocorrido em 2003. Por outro lado, a entrada de investimentos estrangeiros foi acelerada a partir de 2010. Em 2016, esse indicador atingiu um novo recorde ao superar US$ 148 milhões.

As exportações da Guiné-Bissau, como observado ao lado, tiveram um forte crescimento em 2011, seguido de uma grande queda em 2012. Após uma recuperação razoável em 2013, o indicador manteve o mesmo patamar desde então. Em 2016, as vendas ao exterior somaram pouco mais de US$ 278 milhões.

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As importações, por sua vez, também mantiveram o mesmo patamar nos últimos anos. Como é possível observar ao lado, as compras de bens e serviços estrangeiros passaram por uma descida em 2010, mas recuperaram em 2011 e, com exceção de 2014, ficaram entre 300 e 350 milhões de dólares por ano desde então. Em relação a 2014, esse indicador sofreu uma descida de 28% em 2015, mas foi em parte recuperado em 2016.



 

Em termos de destinos, as exportações da Guiné-Bissau são muito dependentes de poucos parceiros. Como o mapa acima demonstra, quase todas as vendas do país ao exterior são destinadas à China e ao Paquistão, que somaram 86% das exportações bissauguineenses de 2015.

Focando nos produtos mais exportados, também é possível apontar uma grande concentração. Como visto ao lado, 85% das vendas ao exterior em 2016 foram representadas pelas castanhas de caju. Os pescados e seus preparados, que sofreram uma grande queda, foram responsáveis por 6% do total.



 

No âmbito das importações, por outro lado, há uma maior variedade de parceiros e produtos, o que é explicado pela pequena dimensão econômica do país. Como visto no mapa acima, as principais origens das importações são França, Japão, Burkina Faso e Tailândia.

Quanto aos produtos mais importados, como o gráfico à direita demonstra, nota-se que 10% das compras de produtos estrangeiros em 2015 foram representadas por petróleo, com destaque para o refinado. Em seguida, aparecem os cereais (7% do total), as máquinas (7%) e os alimentos preparados (7%).

 

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