Guiné Equatorial: A situação atual da economia nacional

Guiné Equatorial:

A situação atual da economia nacional

 

Petróleo: produto responsável por quase todas as exportações da Guiné Equatorial. Como consequência dessa dependência, o PIB desse país é fortemente afetado em períodos de queda dos preços do “ouro negro”. Não por acaso, a economia equatoguineense sofreu retrações tanto durante a crise econômica internacional de 2008/2009 quanto no contexto atual.

Com o objetivo de compreender melhor a situação pela qual passa a economia da Guiné Equatorial, apresentamos a seguir 13 gráficos e imagens que demonstram a evolução recente dos principais indicadores econômicos, sociais, políticos e empresariais do país.

O Produto Interno Bruto (PIB) da Guiné Equatorial enfrenta um período de queda. Como visto no gráfico ao lado, esse indicador viveu um crescimento acelerado até 2008, mas nos dois anos seguintes foi fortemente afetado pela crise econômica internacional de então. Em 2011 e 2012, a economia nacional conseguiu recuperar a tendência de subida, mas voltou a um período de queda desde 2013. Segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), o PIB da Guiné Equatorial encolheu 0,77% em 2016 e deverá registrar uma queda de 2,97% em 2017. Essa instabilidade é em grande parte gerada pela grande dependência da economia do país no Petróleo, commodity que enfrentou uma série de quedas de preço nos últimos anos.

Um dos principais fatores no cálculo do PIB, o consumo também vive um período de queda. Como representado ao lado, os gastos públicos cresceram durante os dez anos entre 2004 e 2013, mas passaram a cair desde então, tendo diminuindo 9% em 2014 e 19% em 2015, ano mais recente disponível. O consumo das famílias, por sua vez, cresceu de U$$ 1,15 bilhão em 2005 para US$ 2,61 bilhões em 2014, mas caiu 13% em 2015.

Um dos indicadores que mais influenciam o consumo, o desemprego manteve considerável estabilidade na última década, mas subiu em 2014. Como é possível observar no gráfico ao lado, o percentual de habitantes em idade ativa sem emprego declarado manteve-se entre 6,8% e 7% entre 2004 e 2013. Por outro lado, esse indicador subiu para 7,9% em 2014, último ano de crescimento do consumo das famílias, como visto no gráfico anterior.

Assim como ocorreu com o índice de desemprego, a inflação na Guiné Equatorial manteve considerável estabilidade nos últimos anos. Como observado à esquerda, a subida anual de preços variou apenas entre 2,80% e 5,74% entre 2004 e 2014. De acordo com as estimativas do FMI, a inflação anual vivida no país foi de 2,89% em 2016 e deverá registrar 2,83% em 2017, mantendo-se, assim, bem controlada.

Por ser signatário do Banco dos Estados da África Central (BEAC), o governo da Guiné Equatorial não possui autonomia para definir sozinho um dos instrumentos mais comuns de controle da inflação: a taxa de juros. Como observado ao lado, o BEAC fixou esse indicador em 2,45% desde agosto de 2015, quando houve uma pequena descida.


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Como referido acima, a Guiné Equatorial é membro do Banco dos Estados da África Central (BEAC) e, como consequência, a moeda oficial utilizada no país é o Franco da África Central (XAF). Com o objetivo de garantir a estabilidade e previsibilidade cambial de seus membros, o BEAC estabeleceu uma taxa de câmbio de fixa em relação ao Euro. Desse modo, a taxa cambial do Franco da África Central seguiu o mesmo caminho que o Euro e viveu uma considerável instabilidade frente ao Dólar nos últimos meses, como visto ao lado.

No sentido contrário do PIB, a entrada de Investimento Direto Externo (IDE) na Guiné Equatorial vive uma fase de acelerado crescimento. Como é possível observar no gráfico ao lado, esse fluxo de capitais aumentou de US$ 3,35 bilhões em 2004 para US$ 13,74 bilhões em 2014, registrando uma subida total de 310% durante esse período. Desde 2004, a atratividade de IDE só caiu em 2008, diante de um contexto de crise econômica internacional.


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As exportações totais da Guiné Equatorial são o indicador que vive hoje a pior queda. Como visto ao lado, as vendas ao exterior tiveram uma grande descida após a crise econômica internacional de 2008, voltaram a subir pelos três anos seguintes, mas caíram novamente em todos os anos desde 2013. Em 2015, as exportações totalizaram US$ 6,88 bilhões, valor 56% menor que o registrado em 2012. Segundo estimativas do FMI, esse indicador caiu 4,7% em 2016 e deverá diminuir 6,8% em 2017, mantendo uma queda acentuada. Essas constantes descidas foram puxadas por grandes descidas do preço do petróleo e são, provavelmente, o maior motivo da retração do PIB nacional.

Apesar das quedas nas exportações, as importações da Guiné Equatorial também sofreram uma grande descida nos últimos anos, permitindo que o país mantenha uma balança comercial de superávit. Como representado no gráfico ao lado, as compras de produtos estrangeiros caíram em cinco dos últimos seis anos, chegando a US$ 1,67 bilhão em 2015. De acordo com estimativas do FMI, ainda, as importações caíram 15% em 2016 e deverão descer 5% em 2017. Os produtos que mais caíram nas importações durante os últimos anos foram as máquinas, os equipamentos, o aço e os veículos.



 

    Na análise dos destinos e produtos das exportações da Guiné Equatorial, é possível notar uma considerável concentração. Como o mapa acima demonstra, os dois principais destinos são a China e a Coreia do Sul, que somaram quase um terço das vendas ao exterior em 2015. Por outro lado, 25 países de variadas localizações geográficas foram, sozinhos, destinos de mais de US$ 30 milhões em produtos da Guiné Equatorial nesse mesmo ano.

    Quanto aos produtos mais exportados, o gráfico ao lado demonstra uma forte concentração em apenas um produto: o petróleo. Essa commodity foi responsável por 90% das vendas ao exterior em 2015 – quando somadas as vendas do óleo bruto e do gás liquefeito.



 

    Quanto às importações da Guiné Equatorial, é possível observar uma concentração mais baixa do que aquela vista nas exportações. Como visto no mapa acima, os países que mais exportaram para esse mercado africano em 2015 foram a Holanda (18% do total), a Espanha (17%) e a China (16%).

    Dividindo as importações totais pelas categorias de produtos, nota-se no gráfico à esquerda uma grande variedade. As embarcações, principalmente as utilizadas para a exploração petrolífera, e as máquinas foram os produtos mais comprado do exterior em 2015, tendo cada uma representado 14% do total. A seguir, destacaram-se o aço e o ferro (9%), os equipamentos (9%) e as bebidas (7%).

 

 

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