Imóveis em Angola, Moçambique e Portugal: entrevistamos o presidente da Worx

Pedro Rutkowski,

Presidente da Worx

Fundada em 1996, a Worx é uma das principais consultoras imobiliárias em Portugal, sendo a empresa líder em diversos segmentos do setor. A internacionalização da Worx teve início em 2007 com uma expansão para Angola. Sete anos, depois, a empresa passou a atuar também em Moçambique, demonstrando um grande destaque para os mercados de Língua Portuguesa.

Com o objetivo de compreender melhor os potenciais dos mercados imobiliários de Angola, Moçambique e Portugal, entrevistamos o CEO da Worx, Pedro Rutkowski.

 

O mercado imobiliário português bateu importantes recordes em 2015. É possível afirmar que esse setor ultrapassou a crise de alguns anos atrás?

O mercado imobiliário português já ultrapassou a crise. Em 2015, Portugal ultrapassou a marca de 2 bilhões de euros em investimento imobiliário, dos quais cerca de 90% foram de estrangeiros. Do ponto de vista institucional, houve muitas vendas para grandes fundos internacionais que investiram, por exemplo, em projetos turísticos e centros comerciais. Uma das principais medidas que estimularam o mercado imobiliário foi o Golden Visa, que consiste em um visto de residência em Portugal para estrangeiros que investirem pelo menos 500 mil euros. Essa opção chamou muita atenção de chineses, brasileiros, angolanos e outros. Outra ação muito importante foi o aumento dos incentivos fiscais, que gerou aos imóveis em Portugal uma grande atratividade para europeus, com destaque para os franceses, os ingleses e os irlandeses. Além disso, a evolução do Turismo e os projetos de reabilitação também foram de grande estímulo para o setor imobiliário.

Na sua opinião, que regiões de Portugal são, atualmente, as mais atrativas para o investimento imobiliário?

Os principais polos são Lisboa, Porto e Algarve. Lisboa, como capital, tem apresentado um ótimo desempenho na área empresarial e no setor logístico. O Porto tem tido um grande crescimento principalmente por causa do aumento de linhas aéreas que tem se posicionado na região. O Algarve, por sua vez, continua a ter uma grande atratividade no imobiliário turístico.

 

Quais as melhores estratégias para encontrar o imóvel ideal em Portugal?

A principal é falar conosco. Temos muita experiência no mercado português, somos líderes em muitos segmentos e, portanto, conseguimos assessorar o cliente para o melhor investimento possível de acordo com os tipos de ativos que pretende encontrar. Existem vários perfis de investidores no imobiliário português, como aqueles que procuram um risco mais elevado para um maior potencial de rentabilidade ou outros que buscam a obtenção de um Golden Visa. De qualquer maneira, é essencial entrar em contato com um profissional da área que conheça bem o país e consiga dar uma melhor fotografia do setor e encontrar onde poderá haver um bom investimento com a maior segurança possível.

A Worx também possui muita experiência no setor Hoteleiro. Na sua opinião, Portugal vive um bom momento para a abertura de novas unidades hoteleiras?

Claramente que sim. Portugal tem um enorme potencial no ponto de vista turístico e só tem a crescer nessa área. Eu acredito que é importante conhecer bem o mercado, principalmente o que o mercado tem a oferecer e o que faz falta nesse país, e tentar diversificar os tipos de ativos que serão desenvolvidos. Outro aspecto importante é analisar o posicionamento internacional de cada projeto turístico.

Angola passa hoje por uma situação econômica complicada. O setor imobiliário foi afetado por esse cenário?

Eu acredito que grandes crises geram grandes oportunidades. Angola passa hoje por algumas dificuldades por causa da queda do preço do Petróleo, mas é um país que teve um nível de crescimento muito acelerado nos últimos anos. Estamos em Angola desde 2007 e, desde então, o mercado imobiliário nesse país evoluiu muito. Trata-se de um país que tem muito potencial, mas que exige uma estratégia bem definida para saber que tipos de ativos imobiliários serão adquiridos e como ocorrerão as operações de compra. Mais uma vez, lembro que é essencial entrar em contato com uma entidade que tenha o conhecimento e as competências para investir no país.

Qual o perfil dos maiores investidores no mercado imobiliário angolano?

O maior grupo é o de chineses, que conseguiram um bom posicionamento em Angola. Além deles, destaco a presença de investidores dos Estados Unidos, do Brasil, da Arábia Saudita e de Israel. No âmbito do Brasil, há uma forte presença de grupos como a Odebrecht, que possui negócios no mercado angolano em diversos setores, incluindo o Imobiliário. Os maiores investidores possuem uma grande estrutura, mas há negócios em todas as dimensões.

Quais zonas do país atraem, hoje, maior interesse por parte de investidores?

O principal, como é de se esperar, é a capital Luanda. Também há um grande interesse em Lobito, Benguela e Cabinda. Dentro de Luanda, há uma maior atratividade na zona de Talatona, onde há espaço para a construção de ativos imobiliários. É uma área que atrai muito interesse financeiro e, por exemplo, é onde estão concentrados alguns grandes bancos.

Na sua opinião, como o setor imobiliário de Angola deve evoluir nos próximos anos?

Eu acho que todas as crises tem seus pontos positivos e, no caso de Angola, é a mudança pra uma maior ponderação dos investimentos. É importante investir com segurança, conhecendo melhor o mercado, principalmente os tipos de ativos devem desenvolver. Grande parte dos investimentos imobiliários feitos recentemente em Angola foram focados no posicionamento local de grandes empresas e nas classes sociais mais altas, mas o país tem um enorme potencial de crescimento das classes sociais baixas e médias.

Em 2014, a Worx expandiu sua presença para Moçambique. Qual a situação atual do mercado imobiliário nesse país?

Moçambique é um mercado menor que Angola, mas também é um país com muitos potenciais. Há um forte desenvolvimento da Infraestrutura do país, com a execução de grandes projetos que estimulam o mercado. Na capital Maputo, por exemplo, há uma acelerada evolução da Avenida 25 de Setembro, que atraiu uma concentração de grandes bancos. Assim como no caso de Angola, o investimento em Moçambique deve ter uma estratégia muito bem definida previamente e deve priorizar projetos sustentáveis.

Na sua opinião, Moçambique vive, hoje, um bom momento para a abertura de novos hoteis?

É evidente que o mercado moçambicano tem tido um grande crescimento na área do turismo, setor que atraiu muitos investidores da África do Sul. Uma das questões que mais afetam o desenvolvimento turístico do país é a necessidade de desenvolvimento da Infraestrutura e há importantes ações sendo feitas nesse sentido.

Quais regiões de Moçambique são, na sua opinião, mais atrativas para o investimento imobiliário?

A capital, Maputo, além de Beira, Pemba, Nampula e Tete. São zonas com maior desenvolvimento no setor agrícola ou na indústria de matérias-primas industriais. As grandes empresas estão cada vez apostando mais nessas áreas.

Como acredita que evoluirá o setor imobiliário moçambicano nos próximos anos?

Assim como Angola, trata-se de um mercado que depende muito dos valores de matérias-primas. Moçambique tem um forte potencial principalmente nos setores de carvão e gás natural. Trata-se de um país que, com base nesses dois produtos, tem uma enorme capacidade de desenvolvimento e espero que esse potencial seja aproveitado em breve.

A Worx estuda uma expansão para outro país de Língua Portuguesa no curto ou médio prazo?

A intenção e a vontade existem sempre. Já foi dado um passo em Angola e outro em Moçambique e, nesse momento, temos que nos fortalecer nesses países antes de passar para novos mercados.

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