São Tomé e Príncipe: a situação econômica atual

São Tomé e Príncipe:

a situação econômica atual

    Em um momento no qual algumas das maiores economias de Língua Portuguesa enfrentam cenários de crise, o pequeno arquipélago de São Tomé e Príncipe passa por um acelerado desenvolvimento. Nos últimos anos, a economia santomense viu um forte crescimento do PIB e do consumo, assim como uma rápida descida da inflação. Atualmente, o país recebe cada vez maior atenção de grandes investidores internacionais e é uma grande aposta para se tornar um dos maiores destinos de turismo ecológico do continente africano.

    Para conhecer melhor a situação atual da economia de São Tomé e Príncipe, apresentamos abaixo a evolução recente dos principais indicadores econômicos, sociais e empresariais do país.

    Nos últimos anos, o PIB de São Tomé e Príncipe apresentou um nível de crescimento anual de grande solidez e estabilidade. Como representado no gráfico ao lado, o desenvolvimento econômico do país viveu momentos de pico em 2005, 2006 e 2008, anos em que o PIB subiu mais de 7%. Desde 2009, ainda, o crescimento anual desse indicador registrou valores entre 4% e 5% em todos os anos consecutivos. Segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), o PIB santomense cresceu 4% em 2016 e registrará aumentos de 5% em 2017 e 5,5% em 2018.

    Um dos principais fatores no cálculo do PIB, os gastos do Governo também apresentaram um forte crescimento nos últimos anos. Como é possível observar no gráfico ao lado, as despesas públicas subiram 283% entre 2004 e 2015, atingindo o equivalente a cerca de US$ 107 milhões. De acordo com estimativas do FMI, ainda, os gastos do Governo santomense mantiveram o mesmo valor em 2016, mas deverão crescer 27% em 2017 e 5% em 2018.

    Do ponto de vista das famílias residentes em São Tomé e Príncipe, por outro lado, há uma queda contínua do índice de desemprego, o que deverá estimular a continuação do crescimento econômico do país. Como visto no gráfico ao lado, o percentual de habitantes em idade ativa sem emprego declarado caiu de 16,7 em 2008 para 13,6 em 2016. O FMI, além disso, estima que esse indicador deverá cair ainda mais, descendo para 12,2 em 2017 e 11,7 em 2018.

    Assim como o desemprego, a inflação passa por um período de queda. Como observado no gráfico ao lado, a subida anual de preços da cesta básica chegou a atingir a marca de 32% em 2008. No entanto, esse indicador passou a cair desde o ano seguinte, atingindo 5,43% em 2015. De acordo com estimativas do FMI, a inflação de São Tomé e Príncipe será de 3,19% em 2017 e 3% em 2018, mantendo a tendência de queda.

    Em termos mensais, também é possível observar que a inflação passa por um período de estabilidade. Como visto no gráfico ao lado, a subida de preços na comparação com o mesmo mês no ano anterior variou entre 3,5% e 6,2% desde julho de 2015. Nos cinco primeiros meses de 2017, a inflação homóloga mensal foi de, em média, 4,48%.

    Um dos mais comuns instrumentos de controle da alta de preços, a taxa de juros santomense seguiu a estabilidade da inflação do país. Como é possível observar no gráfico ao lado, a taxa de juros santomense é de 10%, valor fixado desde janeiro de 2015, quando foi reduzido pelo Banco Central de São Tomé e Príncipe.


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    A Dobra (STD), moeda oficial de São Tomé e Príncipe, é uma das unidades monetárias mais desvalorizadas do mundo, uma vez que um dólar dos EUA é equivalente e mais de 20 mil dobras. Por outro lado, em 1999 o Banco Central santomense adotou uma estratégia de estabilidade com uma indexação cambial, pelo que hoje é fixado um valor de 24.500 dobras por um euro. Assim, como visto ao lado, o valor cambial da Dobra seguiu a evolução do Euro e, após uma ligeira subida no final de 2015, manteve uma considerável estabilidade frente ao Dólar dos EUA durante o ano de 2016, subiu mais um pouco no primeiro trimestre de 2017 e voltou a cair nos meses mais recentes.

    Assim como o PIB, a atratividade de Investimento Direto Estrangeiro (IDE) de São Tomé e Príncipe vive um período de acelerado crescimento, como é possível notar no gráfico à esquerda. Esse fluxo de capital disparou a partir do final da década de 1990 e aumentou em todos os anos desde então. Desde 2004, a entrada de IDE subiu 1400%, atingindo mais de US$ 375 milhões em 2015.

    Por se tratar de uma pequena economia, São Tomé e Príncipe costuma passar por uma considerável volatilidade das exportações. Como visto ao lado, as vendas de produtos e serviços santomenses para outros países aumentaram 188% na última década e registraram US$ 19,41 milhões em 2016. Por outro lado, durante esse período foram registradas três grandes quedas, vividas em 2009, 2010 e 2012.

    Ao contrário das exportações, as importações santomenses apresentaram uma tendência de subida com grande estabilidade na última década, mas caíram nos anos mais recentes. Como observado ao lado, as compras de bens estrangeiros subiram 240% entre 2005 e 2014, registrando apenas uma pequena queda em todo esse período. Por outro lado, as importações do país caíram 16% em 2015 e 20% em 2016, descendo para US$ 113 milhões. Essa queda, no entanto, foi em grande parte causada pela queda dos preços do petróleo, que até 2014 era o produto mais importado pelo país.


 

    No âmbito dos principais parceiros comerciais e produtos das exportações de São Tomé e Príncipe, é possível notar uma forte concentração em ambos os casos. Como o mapa acima demonstra, os principais destinos das vendas santomenses ao exterior são três países europeus: Holanda, Bélgica e Espanha, que somaram mais de 70% das exportações do país em 2015.

    Quanto aos produtos mais exportados, o gráfico ao lado demonstra que as vendas ao exterior estão muito dependentes do cacau, que sozinho representou 78% das exportações santomenses em 2016.

 


 

    Na análise das importações, por outro lado, nota-se uma concentração apenas no âmbito dos parceiros comerciais. Como visto no mapa acima, os dois países que mais exportam para São Tomé e Príncipe são Portugal e Angola, que somaram 80% das importações santomenses em 2015. Por outro lado, devido às recentes quedas dos preços do petróleo, é esperado que Angola tenha perdido uma grande parcela desse mercado durante o ano de 2016.

    Quanto aos principais produtos das importações, no entanto, há uma baixa concentração, visto que a categoria mais importada pelo país, a dos equipamentos, representou apenas 12% do total em 2016.

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