A situação atual da economia de Angola

Angola

A situação econômica atual

    Em 23 de agosto, mais de 9 milhões de angolanos inscritos votaram no terceiro processo eleitoral depois do fim da guerra civil em Angola. Os resultados oficiais ainda não foram contabilizados, mas os dados provisórios já divulgados asseguram a vitória de João Lourenço, sucessor do atual presidente José Eduardo dos Santos no Movimento para a Libertação de Angola (MPLA), e a maioria qualificada para o MPLA na Assembleia Nacional. Apesar de manter-se o mesmo partido na liderança do Executivo de Angola, é evidente o ambiente de mudanças diante da saída de Santos, que ocupa o cargo há mais de 37 anos.

    Para compreender melhor a situação atual da economia de Angola diante do contexto eleitoral, apresentamos nas páginas seguintes 14 gráficos e mapas que demonstram a evolução recente dos principais indicadores econômicos do país.
 

    Depois de anos de forte crescimento, a economia de Angola vive um período de instabilidade. Como é possível notar no gráfico ao lado, o PIB do país sofreu uma grande desaceleração em 2009, como resultado da crise econômica internacional daquele ano, mas entrou em fase de recuperação até 2013. A partir de 2014, no entanto, a economia voltou a crescer a um ritmo cada vez menor. Essa desaceleração é causada principalmente pela queda dos preços do petróleo, produto que consiste no maior pilar da economia angolana. Segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), o PIB estagnou em 2016, mas deve retomar o crescimento em 2017 com uma subida de 1,3%.

    Um dos principais fatores no cálculo do PIB, o consumo viveu um grande crescimento nos últimos anos, mas também passa por um período de desaceleração. Como visto no gráfico à direita, o consumo das famílias angolanas aumentou quase 630% entre 2004 e 2015, mas caiu 15% em 2016. Os gastos do Governo, por sua vez, cresceram quase 570% entre 2004 e 2014, mas caíram 22% em 2015 e 47% em 2016. No ano passado, o consumo das famílias foi de US$ 67 bilhões, enquanto os gastos públicos foram de US$ 14 bilhões.


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    Apesar da instabilidade no crescimento do PIB e no consumo das famílias, o índice de desemprego manteve considerável estabilidade nos últimos anos. Como visto no gráfico ao lado, o percentual de angolanos em idade ativa sem emprego declarado variou entre 6,6% e 7% durante a última década. Em 2016, o índice de desemprego foi de 6,6%.

    Após anos de queda, a inflação voltou a subir de forma acelerada. Conforme representado no gráfico à direita, a subida anual de preços da cesta básica do país caiu tanto no início do século que atingiu em 2014 o menor valor já registrado: 7,28%. Como resultado da subida dos preços do Petróleo, no entanto, a inflação começou a aumentar novamente em 2015, quando subiu para 10,28%, e acelerou para 34,7% em 2016. De acordo com as previsões do FMI, esse indicador fechará 2017 em 27% e será de 17,8% em 2018.

    No plano mensal, os registros confirmam as estimativas do FMI. Como observado ao lado, a subida de preços da cesta básica aumentou de forma ininterrupta até dezembro de 2016, mas passou a cair consecutivamente desde o mês seguinte. Em julho deste ano, registro mais recente, a inflação comparada com o mesmo mês no ano anterior foi de 27,3%.  

    Com o objetivo de tentar conter a ainda alta inflação, o Banco Nacional de Angola adota uma estratégia clara: elevar a taxa de juros. Para tentar conter o consumo, esse indicador foi revisto para cima oito vezes desde o início do ano passado, sendo que as duas últimas alterações foram subidas de dois pontos percentuais. Como observado no gráfico à direita, a taxa de juros angolana era de 9,75% no início de julho de 2015, mas atualmente é de 16%. Esse valor, no entanto, tem sido mantido pelos últimos 15 meses.

    Apesar de as quedas dos preços do petróleo puxarem por uma descida da entrada de dólares e, consequentemente, uma desvalorização cambial, o Governo angolano tem adotado medidas para congelar o câmbio. Como visto ao lado, o valor de US$ 1,00 foi de exatamente 166,4 kwanzas durante 15 meses seguidos, mas variou um pouco nos dois últimos meses.

    Passando para o plano internacional, a economia de Angola passou por uma acelerada subida de investimentos diretos estrangeiros (IDE) atraídos. Como visto ao lado, esse fluxo de capital entrou em tendência de rápida queda a partir de 2010, mas voltou a subir anualmente a partir de 2014. Em 2016, a entrada de IDE em Angola foi de quase US$ 50 bilhões.

    Como é possível ver no gráfico à esquerda, as exportações de Angola vivem uma instabilidade significante. As variações entre um ano e outro são causadas por subidas ou descidas no preço do petróleo, responsável por quase toda a pauta exportadora do país. Nos últimos anos, as vendas ao exterior voltaram a cair com a recente onda de queda do preço desse produto, gerando uma quebra de 54% desde 2012. Em 2015, as exportações totais foram de US$ 35 bilhões, valor 46% menor do que o registrado no ano anterior. Segundo estimativas do FMI, no entanto, esse indicador subiu 2% em 2016 e crescerá 0,6% em 2017 e 2,1% em 2018.

    Quanto às importações, também é possível notar uma considerável instabilidade nos últimos anos.   Como visto no gráfico ao lado, as compras de produtos estrangeiros caíram após a crise econômica internacional de 2008-2009, mas voltaram a crescer entre 2011 e 2014 de forma constante. Em 2015, no entanto, as importações totais caíram 42%, registrando US$ 16 bilhões. Essa nova queda ocorreu, principalmente, por causa da desvalorização cambial do Kwanza, moeda oficial do país, o que encareceu os produtos e serviços importados. De acordo com as estimativas do FMI, esse indicador caiu 27,8% em 2016, mas subirá 28,1% em 2017 e 1,3% em 2018.



 

    Quanto aos principais produtos e destinos das exportações, é possível notar grandes concentrações. Como o mapa acima demonstra, há uma grande dependência das exportações no mercado chinês, destino de 43% das vendas ao exterior em 2015. O país asiático consiste em um tradicional comprador do petróleo angolano.

    O gráfico à esquerda, por sua vez, confirma a já histórica dependência no petróleo, que representou 97% das exportações angolanas em 2015, ano mais recente com dados disponíveis.



 

    Quanto às importações, nota-se uma maior diversidade de parceiros e produtos. Como é possível ver no mapa acima, os quatro países que mais exportaram para Angola em 2015 foram China (17% do total), Portugal (15%), Coréia do Sul (9%) e Estados Unidos (7%). Além disso, 25 países diferentes exportaram, sozinhos, mais de US$ 100 milhões para Angola no ano passado.

    O gráfico à direita, por sua vez, também apresenta uma grande variedade em termos de produtos exportados para Angola. As categorias de maior destaque foram máquinas (16% do total), embarcações (10%), equipamentos (8%) e aço ou ferro (8%).

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