Entrevistamos Agostinho Moreira, CEO da Jetclass

Agostinho Moreira,

CEO da Jetclass

 

    Em julho de 2016, a empresa portuguesa de móveis de luxo Jetclass anunciou a abertura de sua primeira loja em Angola. O primeiro espaço foi inaugurado em Morro Bento, na capital Luanda, enquanto no ano seguinte a marca abriu uma nova loja no Patriota, também em Luanda.

    Com o objetivo de conhecer melhor essa experiência de expansão empresarial diante do atual contexto de dificuldades da economia de Angola, entrevistamos o CEO da Jetclass, Agostinho Moreira.

Quais foram os principais motivos para a Jetclass decidir expandir seus negócios para Angola?

Angola está em franco crescimento e, após estudo, analisamos que existia uma lacuna no segmento de luxo na área do design de interiores. Acreditamos que este país é uma forte potência econômica e que o futuro passa pelo posicionamento nesse mercado. Entramos no país em 2016 com uma loja em Morro Bento, Luanda, e em 2017 abrimos um novo espaço no Patriota, também em Luanda. Pretendemos oferecer um design exclusivo de mobiliário, iluminação e decoração e um serviço de design de interiores de excelência.

Por outro lado, quais foram os maiores desafios que a empresa enfrentou desde então?

O nosso maior desafio até então está relacionado com a conjuntura que o país atravessa a nível de divisas disponíveis para o exterior, o que nos tem impossibilitado de estender a nossa gama de produtos.

Quais particularidades do mercado angolano mais afetam o investimento estrangeiro?

A questão das divisas é o fator número um que dificulta todo o investimento proveniente do estrangeiro. A nível econômico, continua um ótimo mercado para se investir porque o público angolano procura cada vez mais exclusividade e um estilo de vida contemporâneo.

A economia de Angola passa hoje por um momento de dificuldades. Como esse cenário está afetando o mercado mobiliário?

O momento menos bom que a economia angolana está a atravessar faz-se notar na dificuldade que os investidores atravessam na importação dos seus produtos. De qualquer das formas, acreditamos que é uma situação passageira e que em breve se irá resolver.

Quais conselhos ofereceria a um empreendedor interessado em investir no mercado angolano?

É importante estudar as melhores estratégias que possam possibilitar as negociações entre Angola e o resto do mundo. 

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Que principais tendências acredita que devemos esperar para a economia de Angola?

As expectativas que temos para Angola são altas e pretendemos continuar a consolidar a nossa presença no país pois acreditamos na sua evolução, tanto econômica como social.  Preparamo-nos para investir uma vez mais em Angola, renovando a imagem do showroom e desenvolvendo novos projetos com o principal objetivo de crescer no país. Dessa forma, está já prevista a abertura de um nova loja em 2018 no novo centro comercial Fortaleza Shopping e a criação de uma unidade produtiva que contempla estofo ligeiro, confecção de cortinados, obra e montagem de forma a aumentarmos a nossa capacidade de resposta às necessidades do público. Investimentos estes que contemplam a criação de postos de trabalho e formação profissional para os nossos futuros colaboradores angolanos. Contamos assim abrir futuramente outras quatro lojas filiais da Jetclass Angola em outras províncias, tais como Lubango, Benguela, Huambo e Cabinda.

Qual a situação atual do setor de luxo em Portugal?

Nos últimos cinco anos, o mercado de luxo em Portugal cresceu exponencialmente. O desenvolvimento do mercado imobiliário, do turismo, do retalho, entre outros setores, representa cerca de 5% do PIB.  Portugal está muito bem conotado no mercado externo e já somos reconhecidos como dos melhores a nível internacional, o que leva ao crescimento da taxa de exportação. A Jetclass segmenta-se como uma das principais marcas de luxo portuguesas, estando presente nas mais importantes feiras do setor e nas melhores revistas de design de interiores e lifestyle, além de exportar para todo o mundo, fator que ajuda na consolidação do nome de Portugal além-fronteiras.

Como acredita que esse setor evoluirá nos próximos anos?

Continuará com certeza em crescimento, devido ao desenvolvimento do mercado português. Há neste momento um claro aumento da compra de casas de luxo por portugueses e estrangeiros, o que leva a uma maior procura do setor da decoração e design de interiores de gama alta. Outra área que está em fase de crescimento é a hotelaria. Há cada vez mais investidores a surgirem em Portugal, que é atualmente considerado um dos mais importantes destinos de férias do mundo. Esse é um setor que traz uma série de possibilidades de negócios na área do design de interiores.

Por fim, qual a sua visão para a evolução da economia de Portugal nos próximos anos?

Acredito que a economia portuguesa continuará a crescer, impulsionada pela procura interna e pelas exportações. No caso da Jetclass, as apostas no futuro passam pelo reforço da marca no Reino Unido, Espanha, França e Rússia. Continuaremos o trabalho desenvolvido nos Emirados Árabes Unidos, e avaliaremos a forma de entrada no mercado da América do Norte através de parcerias, desenvolvimento de novos produtos e o seu posicionamento.

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